Indígenas denunciam violação de direitos em encontro regional

Independência, autonomia, força e determinação, foram as palavras mais pronunciadas na conclusão o 1º Encontro Regional de Formação e Troca de Experiências com as Lideranças das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Rio Solimões e Afluentes, que aconteceu nos dias 29 e 30 de setembro 2017, em Tefé, Amazonas.

O evento faz parte das atividades do Projeto “Garantindo a defesa de direitos e a cidadania dos

Tuxaua Anilton Braz da Silva Kokama, aldeia Porto Praia de Baixo, um dos participantes do 1º Encontro Regional de Formação e Troca de Experiências Indígenas do Médio Rio Solimões e Afluentes. Foto: Raimundo Freitas.

Com o tema “A força das experiências e dos conhecimentos indígenas”, as representações das etnias presentes partilharam saberes, experiências de luta e refletiram sobre os desafios do atual contexto político sobre os direitos indígenas. As conclusões dos dois dias de encontro mostram que apesar de estarem geograficamente distantes, todos os povos vivenciam as mesmas violações e problemas. Os participantes afirmaram que existem soluções viáveis para os problemas e é importante que o poder público cumpra com o seu dever de promover e implantar políticas públicas adequadas, justas e eficientes para os indígenas.povos indígenas do médio rio Solimões e afluentes”, implementado pela Cáritas da Prelazia de Tefé e pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi – Tefé), financiado pela União Europeia e CAFOD, e reuniu lideranças dos povos Kokama, Kambeba, Tãkuna, Miranha, Madija Kulina, Kanamari, Deni, Mayoruna, Maku Nadëb e Kaixana, de 27 comunidades dos municípios de Tefé, Uarini, Carauari, Itamarati, Alvarães, Maraã e Japurá. Também estavam presentes lideranças representantes das organizações indígenas União dos Povos Indígenas do Médio Rio Solimões e Afluentes (UNIPI-MAS), Conselho Indígena de Japurá (CIJA), Associação do Povo Deni do rio Xeruã (ASPODEX) e Associação do Povo Tikuna do Rio Xeruã (ASPOTAX), do povo Kanamari.

Andre da Cruz Kambeba, Coordenador da União dos Povos Indígenas do Médio Rio Solimões e Afluentes (UNIP/MSA). Foto> Raimundo Freitas.

Os povos do médio rio Solimões e afluentes conclamam o poder público para o diálogo; “Formulamos demandas e propostas de soluções que queremos socializar para apreciação do movimento indígena em geral, as instituições governamentais e não governamentais e o Ministério Público Federal”.

As reivindicações e propostas dos povos indígenas do Médio Solimões foram registradas em um documento ao final do evento, com destaque para as graves violações na área da saúde e educação indígena. Um outro problema destacado e de grande importância para uma melhoria na saúde e educação, diz respeito às demarcações das terras indígenas, que há anos vêm sendo pleiteadas. A omissão do Governo Federal em cumprir o que determina a Constituição Federal e a convenção 169 da OIT tem trazido consequências devastadoras para a vida das comunidades indígenas no Brasil.

Povos Kokama, Kambeba, Tãkuna, Miranha, Madija Kulina, Kanamari, Deni, Mayoruna, Maku Nadëb e Kaixana, de 27 comunidades dos municípios de Tefé, Uarini, Carauari, Itamarati, Alvarães, Maraã e Japurá participam do 1º Encontro Regional de Formação e Troca de Experiências com as Lideranças das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Rio Solimões e Afluentes.

As lideranças presentes concluíram o evento reafirmando a importância da força coletiva na luta pelos seus direitos: “Reafirmamos nossa existência enquanto povos fortes e resistentes frente a tantos retrocessos, descaso e omissão do poder público, e afirmamos que frente aos ataques, descaso e omissão contra nós povos indígenas, nossas organizações, associações, comunidades e lideranças do Médio Solimões e afluentes coletivamente continuaremos lutando e exigindo respeito aos nossos direitos”.

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